Crônicas urbanas: #3 Um senhor mal educado

#3 Um senhor mal educado

Acordei com um susto. Alguém tinha me dado um soco leve no ombro esquerdo. Olhei pro lado de onde tinha veio o soco já com a mão direita fechada. Vi um senhor me olhando feio.

Ele devia ter uns 60 ou 65 anos, usava uma boina e um colete. Rispidamente, me mandou levantar. “Sai daí porque a senhora quer sentar!” falou. Olhei na direção que ele indicou e vi uma senhora que estava de pé no corredor do ônibus. Ela olhava com a expressão assustada.

Virei para trás e olhei a cor do assento, não era um dos amarelos, que são preferenciais. Ele resmungou alguma coisa. Olhei para a rua, ainda estávamos no segundo ou terceiro ponto após o terminal.

Ele me mandou sair de novo e me chamou de folgado. Contei até cinco e engoli minha raiva.

Peguei minha mochila e comecei a me levantar. Fiz questão de ir na direção dele quando saí do banco. Antes de sair falei em alto e bom som:
– Não é um banco preferencial, mas vou levantar porque a senhora quer sentar.  Mas se o senhor quisesse sentar, com certeza eu não ia levantar, porque o senhor é muito mal educado.

Ele reclamou e resmungou enquanto a senhora sentava. Ainda perguntei “Qual é o problema? Tá irritado com o quê?”. Ele resmungou outra vez e desceu no próximo ponto.
Quando passei a catraca o cobrador, que me vê pegando o mesmo ônibus todo dia, falou:
– É cada folgado, né?
Ele não podia estar mais certo…

(Thomas Tyn Chow Wang)
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